segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Renascer de um Jornal da Terra....

De professor... a escritor e jornalista. Inocêncio Pereira é o herói de uma terra, um exemplo da luta em busca da verdade...
Com 44 anos de idade deixa o jornalismo de guerra e abraça o regional para criticar as injustiças da sua terra.
Agora aposentado, conta como foi difícil seguir em frente.

Acabado de regressar das antigas colónias portuguesas para trabalhar na Rádio Renascença, Inocêncio Pereira deparou-se com mais um desafio na sua vida. O então Bispo de Bragança, D.Manuel de Jesus Pereira, pediu-lhe para integrar a direcção do jornal 'Mensageiro de Bragança' , actual 'Mensageiro Notícias', que estava sem dinheiro. "E realmente estava totalmente falido", conta. "Não tinha uma cadeira, uma mesa, não havia um gabinete para trabalhar… não havia absolutamente nada. Mas havia jornal!", salienta o jornalista recém chegado à capital transmontana.

Começou, então, por implementar uma nova ideologia no jornal. Aquela que tinha estudado e amado enquanto adolescente, no Seminário Salesiano, "depois de muitas leituras das obras de S. João Bosco, notei que a linha salesiana dizia respeito à sociedade civil e não era uma linha eclesial. Ele escrevia para todos, escrevia para o mundo!" E foi por intermédio das obras de S. João Bosco que se apaixonou pelo mundo jornalístico, "através disto a Comunicação Social entrou em mim, porque aprendi que se o jornalista não tem o tom apropriado, um estilo apropriado, dificilmente será jornalista".

Às mãos de Inocêncio Pereira a tiragem do "Mensageiro de Bragança" chegou às seis mil, antes havia somente cerca de 800 jornais. Para o jornalista a linha salesiana implementada foi fundamental, "consegui arrancar com o jornal e alargá-lo à sociedade, com um noticiário que dissesse alguma coisa às nossas aldeias e, até certo ponto, considero que foi devido à linha salesiana que o jornal sobreviveu". No entanto, recorda que os primeiros tempos na direcção do jornal não foram fáceis, "foi muito difícil, tive de por o meu carro e a minha casa à disposição, andar por esse distrito fora, andar três milhões de quilómetros. Tinha de fazer muitas viagens de carro para angariar publicidade."

Questionado sobre o tema que mais o incentivava a escrever, Inocêncio Pereira não tem dúvidas, "eu gostava e continuo a gostar de denunciar as injustiças sociais" porque considera que no interior do país não houve progresso porque "fomos tratados como pessoas da 3ª classe por isso denuncio a realidade das nossas aldeias, sem escolas, despovoadas, sem natalidade. E isso é um crime".

E, assim, fez... criticou, denunciou, sem quaisquer medos e, acima de tudo, orgulhou a sua gente!
Todas as suas denúncias podem ser lidas no livro Inocêncio Pereira - 50 Anos de Jornalismo, de Fernando Calado.

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