Inocêncio Pereira é o orgulho de todos os brigantinos. Homem brilhante das Letras, que lutou pela igualdade entre litoral e interior, que nunca esqueceu as suas humildes origens. Com uma carreira invejável é impossível contá-la com simples palavras... por isso fica o testemunho!
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
"Não Nos Diz Nada"
O antigo 'Mensageiro de Bragança' data de 1940 e passou por várias repressões políticas. Por tudo isso acabou por se afundar em 1976, altura em que era conotado de jornal vermelho. Inocêncio Pereira acabou por salvar o navio que já muita gente considerava afundado.O jornalista deixou o jornal em 2003 e faz uma análise da situação actual do semanário transmontano.
É com alguma tristeza que Inocêncio Pereira nos fala da mudança do 'Mensageiro Notícias', "mudou totalmente e tenho de o dizer com toda a sinceridade".
Assim, aponta algumas das falhas que encontra, "retiraram o nome ‘Mensageiro de Bragança’ -que é capital de distrito - e o nome de baptismo não se tira a ninguém e entenderam abrir uma redacção em Vila Real, onde só tem despesas porque esta cidade não é o nosso distrito.Virou-se mais para Vila Real que não nos diz nada e o espírito salesiano perdeu-o totalmente" juntando, ainda o facto de não terem um público fiel, "não procuram assinantes, não procuram falar com as pessoas, parar numa aldeia, dialogar, fazer amigos para dar ao jornal um cariz de 'amigo da terra' e não de inimigo".
No entanto, o jornalista afirma que não queria ver o jornal como o havia deixado mas que, "gostaria de o ver a abrir e a progredir, coisa que não me parece que esteja a acontecer".
O Renascer de um Jornal da Terra....
De professor... a escritor e jornalista. Inocêncio Pereira é o herói de uma terra, um exemplo da luta em busca da verdade...Com 44 anos de idade deixa o jornalismo de guerra e abraça o regional para criticar as injustiças da sua terra.
Agora aposentado, conta como foi difícil seguir em frente.
Acabado de regressar das antigas colónias portuguesas para trabalhar na Rádio Renascença, Inocêncio Pereira deparou-se com mais um desafio na sua vida. O então Bispo de Bragança, D.Manuel de Jesus Pereira, pediu-lhe para integrar a direcção do jornal 'Mensageiro de Bragança' , actual 'Mensageiro Notícias', que estava sem dinheiro. "E realmente estava totalmente falido", conta. "Não tinha uma cadeira, uma mesa, não havia um gabinete para trabalhar… não havia absolutamente nada. Mas havia jornal!", salienta o jornalista recém chegado à capital transmontana.
Começou, então, por implementar uma nova ideologia no jornal. Aquela que tinha estudado e amado enquanto adolescente, no Seminário Salesiano, "depois de muitas leituras das obras de S. João Bosco, notei que a linha salesiana dizia respeito à sociedade civil e não era uma linha eclesial. Ele escrevia para todos, escrevia para o mundo!" E foi por intermédio das obras de S. João Bosco que se apaixonou pelo mundo jornalístico, "através disto a Comunicação Social entrou em mim, porque aprendi que se o jornalista não tem o tom apropriado, um estilo apropriado, dificilmente será jornalista".
Às mãos de Inocêncio Pereira a tiragem do "Mensageiro de Bragança" chegou às seis mil, antes havia somente cerca de 800 jornais. Para o jornalista a linha salesiana implementada foi fundamental, "consegui arrancar com o jornal e alargá-lo à sociedade, com um noticiário que dissesse alguma coisa às nossas aldeias e, até certo ponto, considero que foi devido à linha salesiana que o jornal sobreviveu". No entanto, recorda que os primeiros tempos na direcção do jornal não foram fáceis, "foi muito difícil, tive de por o meu carro e a minha casa à disposição, andar por esse distrito fora, andar três milhões de quilómetros. Tinha de fazer muitas viagens de carro para angariar publicidade."
Questionado sobre o tema que mais o incentivava a escrever, Inocêncio Pereira não tem dúvidas, "eu gostava e continuo a gostar de denunciar as injustiças sociais" porque considera que no interior do país não houve progresso porque "fomos tratados como pessoas da 3ª classe por isso denuncio a realidade das nossas aldeias, sem escolas, despovoadas, sem natalidade. E isso é um crime".
E, assim, fez... criticou, denunciou, sem quaisquer medos e, acima de tudo, orgulhou a sua gente!
Todas as suas denúncias podem ser lidas no livro Inocêncio Pereira - 50 Anos de Jornalismo, de Fernando Calado.
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